Corumbá/MS
Corumbá é conhecida como capital do Pantanal por possuir 70% deste paraíso ecológico. Fica a Noroeste do Mato Grosso do Sul, próximo à fronteira com a Bolívia. Assentada à margem do rio Paraguai, é uma grande ilha pantaneira, rica em minérios (calcário, ferro, manganês), fauna e flora regionais, que sempre buscou a convivência harmoniosa entre a natureza e o homem pantaneiro.
Atividades ecoturísticas podem ser praticadas pelo extenso Pantanal Sul, por exemplo na Gruta Ricardo Franco, na Morraria do Urucum e Mina do Urucum (mirante, possibilidade de fazer vôo livre), no Parque Marina Gatass (possui sitio ecológico), e em dos principais pontos turísticos: a Estrada-Parque, que é uma Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) com planície alagada e vegetação de campos limpos, ao longo da estrada possui hotéis e restaurantes. Os rios Paraguai, Miranda e Aquidauana dispõem de barcos-hotéis.
A cidade também possui um centro histórico com grandes atrativos para visitação: Casa do Artesão; Casa do Massa Barro (Entidade criada para incentivar a arte em cerâmica, o artesanato local é conhecido em toda a Europa.); Forte Coimbra; Forte Junqueira; Igreja Nossa Senhora da Candelária (Inaugurada em 1887 com solenidade do ritual romano, guarda um Brasão da Coroa Portuguesa que se destaca no altar.); ILA (Instituto Luiz de Albuquerque, abriga um museu e as bibliotecas do Estado Biblioteca Municipal Loubivar de Mattos e Biblioteca Estadual Gabriel Vandoni de Barros); Porto Geral (O Casario da principal rua do Porto, Manoel Cavassa, é o ponto de referência histórica da cidade.); Praça da Independência; Praça da República; Santuário Maria Auxiliadora.
O clima em Corumbá é tropical, com inverno seco e chuvas no verão. A média da temperatura é 25ºC.
COMO CHEGAR
A principal via de acesso à Corumbá é a rodovia BR-262. Há também a possibilidade de outras rodovias internas, como a Estrada Parque, com 117 km e trechos precários. A cidade possui aeroporto internacional.
Distâncias: Campo Grande: 418 km, Aquidauana: 305 km, Rondonópolis(MT): 910 km, Cuiabá(MT): 1.120 km

Corumbá
Corumbá é um município brasileiro da região Centro-Oeste, localizado no estado de Mato Grosso do Sul. Localizada na Região Centro-Oeste do Brasil, na margem esquerda do rio Paraguai e também na fronteira entre o Brasil, o Paraguai e a Bolívia, Corumbá é considerada o primeiro pólo de desenvolvimento da região, e por abrigar 50% do território pantaneiro, recebeu o apelido capital do pantanal[3], além de ser a principal e mais importante zona urbana da região alagada. Também conhecida como cidade branca pela cor clara de sua terra, pois está assentada sobre uma formação de calcário, que dá a cor clara as terras locais. É a terceira cidade mais importante do estado em termos econômicos, culturais e populacionais depois de Campo Grande (a capital do estado) e Dourados. Constitui o mais importante porto do estado de Mato Grosso do Sul e um dos mais importantes portos fluviais do Brasil e do mundo. Um fato interessante é que, dentro do município, está localizada a cidade de Ladário, que faz divisa, em todos os sentidos, apenas com Corumbá.

História
Chamada inicialmente como Vila de Nossa Senhora da Conceição de Albuquerque, o povoado se ergueu um pouco mais para o sul e por alguns anos foi um simples destacamento militar e transformou-se lentamente em povoado. Atraído pela existência de pedras e metais preciosos (que eram usados por indígenas, que já povoavam a região, como adornos), entre eles o ouro, o português Aleixo Garcia, em 1524, acabou sendo o primeiro a visitar o território, que alcançou o rio Paraguai através do rio Miranda, atingindo a região onde hoje está a cidade de Corumbá. Nos anos de 1537 e 1538, o espanhol Juan Ayolas e seu acompanhante Domingos Martínez de Irala seguiram pelo rio Paraguai e denominaram Puerto de los Reyes à lagoa Gayva. Por volta de 1542-1543, Álvaro Nunes Cabeza de Vaca (espanhol e aventureiro) também passou por aqui para seguir para o Peru. Também passou por aqui o então governador de Assunção (atual capital do Paraguai), Domingos Martinez de Irala, que em marcha foi até a Cordilheira dos Andes. No século XVIII, visando a um tratado de limites existente, foi fundado pelos espanhóis em 1774 um povoado na foz de Ipané. Em 13 de setembro de 1775 foi oficialmente fundado o Forte Coimbra para a defesa da região. Em 21 de setembro de 1778, efetuou-se a ocupação do local onde se localiza atualmente Corumbá (Em 2 de setembro o local onde se encontra atualmente Ladário começou a ser povoado). Nessa mesma data, a mando do Governador da Capitania de Mato Grosso (o Capitão-General Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres), o sargento-mor Marcelino Rois Camponês, que comandava uma expedição militar, adquiriu a posse da região para a Coroa Portuguesa, fundando o local e batizando-o com o nome de Nossa Senhora da Conceição de Albuquerque, sendo então lavrado o termo de fundação. Era uma povoado que começou como destacamento militar e se estabeleceu a princípio na ponta do Ladário. Até então seu crescimento era muito lento, pois até ali era apenas um posto militar. No ano de 1800 um grande incêndio destruiu todo o arraial e foi tão violento que poupou a única capelinha de telha do local. Em conseqüência desse lento progresso, apenas em 26 de agosto de 1838, pela lei provincial, foi elevada à categoria de freguesia. Em 1856 estabeleceu-se o trânsito livre de barcos nacionais e estrangeiros no rio Paraguai e o porto de Corumbá, com sua importante posição geográfica, começou a se tornar um centro econômico de destaque no continente. A navegação, além de romper o isolamento da região, serviu para fixar o domínio pelo império na fronteira oeste do Brasil. Assustado com o grande desenvolvimento em 1859, em razão da navegação comercial, o Presidente da Província Almirante Joaquim Raimundo de Lamare, riscou e demarcou as ruas, praças e edifícios públicos de Corumbá. No mesmo ano o povoado foi transferido para a atual localização da cidade de Corumbá. Com o rápido progresso, no dia 1º de maio de 1861, foi instalada a Alfândega de Albuquerque para arrecadar impostos. No dia 6 de julho de 1862, por decreto nº 6 do presidente da província Herculano Ferreira Pena é criado o município de Corumbá. Começaram a surgir vias largas e mais estabelecimentos comerciais. E isso acabou trazendo também problemas de infra-estrutura: transporte de mercadorias, abastecimento de água e saneamento básico precários (sendo este último causador de epidemias) e falta de calçamento nas ruas. Qualquer barco (nacional e estrangeiro) que atracava no porto local enfrentava o problema da falta de controle sanitário (e consequentemente doenças começaram a surgir). Também havia os problemas econômicos e sociais que foram agravados pelas frequentes enchentes periódicas que o rio Paraguai provocava. Outro problema comum na região eram as crises políticas e a violência cotidiana. Além disso, a dependência da navegação fluvial com o exterior tornou a cidade suscetível a crises periódicas. Com a invasão de Corumbá, em 1864, das tropas do ditador Francisco Solano Lopes, o progresso foi temporariamente bloqueado. A partir daí a navegação teve de ser interrompida e consequentemente houve a desarticulação do comércio local. Corumbá acabou sendo destruída e abandonada a miséria. Seus depósitos e casas foram saqueados e a sua população sofreu represálias por parte dos saqueadores. Esse domínio de ocupação do exército paraguaio durou até o dia 13 de Junho de 1867 (dia consagrado a Santo Antônio), quando, sob o comando do tenente coronel Antônio Maria Coelho, soldados brasileiros vindos de Cuiabá derrotaram os inimigos e tomaram novamente posse das terras, que até aquele momento estava sob o domínio paraguaio. Após a guerra, em 1870, Corumbá estava destruída e reduzida a ruínas. A partir daí houve a reorganização do que foi devastado e a cidade voltou a normalidade que tinha outrora. No mesmo ano uma divisão do Exército Brasileiro, trazendo mantimentos para abastecer a sua tropa, abriu novas perspectivas de comércio. Também houve a restauração da zona urbana e a retomada do comércio, além da recuperação da região portuária e das fazendas de gado que foram destruídas outrora na invasão paraguaia. Em 7 de outubro de 1871, com o crescimento retomado, é elevada à categoria de vila. No ano de 1872 começou a ser construído o Arsenal da Marinha na região do atual município de Ladário e também a construção da Câmara de Vereadores de Corumbá. A comarca de Corumbá foi criada por Lei Provincial nº 1 de 10 de junho de 1873 (declarada de segunda estância) e instalada em 19 de fevereiro de 1874. Em 1877, Corumbá dispunha de três praças, dez ruas retas e sua população era de aproximadamente 6 mil habitantes. Em 15 de novembro de 1878, pela lei nº 525, é elevada à categoria de cidade. Já no fim do século XIX], o porto fluvial de Corumbá era o terceiro maior da América Latina e movimentava pelos vapores da rota Europa/Brasil o comércio de peles, charques e outras riquezas da região. Ocultado às vistas dos visitantes, quando chegavam do Rio da Prata pelas voltas do rio, surpreendia o belo aspecto que se descortinava à entrada do porto da cidade. Corumbá estava em contínuo progresso e seu porto era atracado por embarcações nacionais e estrangeiras de grande calado. Essas embarcações traziam grandes carregamentos de mercadorias destinadas ao mercado local, além de outras localidades do estado, além do oriente da Bolívia. Vapores vinham do Uruguai, Argentina e de alguns países europeus trazendo o cimento inglês, o vinho português e os refinados tecidos franceses, além dos imigrantes. Em contrapartida levavam produtos de exportação como a borracha, couro, charque, cal e a erva mate, transformando a região em um corredor das exportações de Mato Grosso. Nessa época, funcionavam em Corumbá 25 bancos internacionais como o City Bank e a moeda corrente era a Libra Esterlina. Havia uma enorme composição do elemento estrangeiro em sua população (italianos, árabes, libaneses, argentinos, paraguaios, entre outros) e nessa época a população estrangeira na região chegou a superar numericamente a brasileira. A zona urbana se desenvolveu sob o impulso de movimento mercantil e fluvial, o que aumentou os estabelecimentos comerciais e o número de estrangeiros. Apesar disso, a prosperidade comercial não trouxe benefícios para a cidade e sua população. Essa dependência com o comércio externo impediu o desenvolvimento interno e a criação de uma infra-estrutura econômica e urbana capaz de criar alternativas para o setor comercial. Havia uma dualidade na estrutura social que se formava, havendo dois grupos populacionais: o dos europeus, que eram os ricos e poderosos, e o dos sulamericanos, considerados marginalizados e discriminados. Getúlio Vargas, antes de ser presidente do Brasil, serviu ali até a patente de cabo, em 1903. Em 1910 como tentativa de organização dos comerciantes locais foi fundada a Associação Comercial de Corumbá. Ela que considerava a navegação fator principal no desenvolvimento da cidade reagiu anos depois contra a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (atualmente privatizada). No ano de 1913 um oficial das forças armadas, em visita a cidade, falou ao chegar a Corumbá: ?No hotel, no bar, nas casas de comércio, por toda parte, ouve-se falar todas as línguas nessa longínqua e pequena babel e não serei exagerado em falar que o português não é o idioma que mais se fala?. Em 1914 possuia quinze mil habitantes e cortada por largas ruas retas e perpendiculares ao rio. Faltava apenas a arborização simétrica para embelezar as avenidas e dar um aspecto de uma metrópole para a época. No mesmo ano foi instalada em Corumbá a 14ª agência do Banco do Brasil. No ano de 1800 um grande incêndio destruiu todo o arraial e foi tão violento que poupou a única capelinha de telha do local. Em conseqüência desse lento progresso, apenas em 26 de agosto de 1838, pela lei provincial, foi elevada à categoria de freguesia. Em 1856 estabeleceu-se o trânsito livre de barcos nacionais e estrangeiros no rio Paraguai e o porto de Corumbá, com sua importante posição geográfica, começou a se tornar um centro econômico de destaque no continente. A navegação, além de romper o isolamento da região, serviu para fixar o domínio pelo império na fronteira oeste do Brasil. Assustado com o grande desenvolvimento em 1859, em razão da navegação comercial, o Presidente da Província Almirante Joaquim Raimundo de Lamare, riscou e demarcou as ruas, praças e edifícios públicos de Corumbá. No mesmo ano o povoado foi transferido para a atual localização da cidade de Corumbá. Com o rápido progresso, no dia 1º de maio de 1861, foi instalada a Alfândega de Albuquerque para arrecadar impostos. No dia 6 de julho de 1862, por decreto nº 6 do presidente da província Herculano Ferreira Pena é criado o município de Corumbá. Começaram a surgir vias largas e mais estabelecimentos comerciais. E isso acabou trazendo também problemas de infra-estrutura: transporte de mercadorias, abastecimento de água e saneamento básico precários (sendo este último causador de epidemias) e falta de calçamento nas ruas. Qualquer barco (nacional e estrangeiro) que atracava no porto local enfrentava o problema da falta de controle sanitário (e consequentemente doenças começaram a surgir). Também havia os problemas econômicos e sociais que foram agravados pelas frequentes enchentes periódicas que o rio Paraguai provocava. Outro problema comum na região eram as crises políticas e a violência cotidiana. Além disso, a dependência da navegação fluvial com o exterior tornou a cidade suscetível a crises periódicas. Com a invasão de Corumbá, em 1864, das tropas do ditador Francisco Solano Lopes, o progresso foi temporariamente bloqueado. A partir daí a navegação teve de ser interrompida e consequentemente houve a desarticulação do comércio local. Corumbá acabou sendo destruída e abandonada a miséria. Seus depósitos e casas foram saqueados e a sua população sofreu represálias por parte dos saqueadores. Esse domínio de ocupação do exército paraguaio durou até o dia 13 de Junho de 1867 (dia consagrado a Santo Antônio), quando, sob o comando do tenente coronel Antônio Maria Coelho, soldados brasileiros vindos de Cuiabá derrotaram os inimigos e tomaram novamente posse das terras, que até aquele momento estava sob o domínio paraguaio. Após a guerra, em 1870, Corumbá estava destruída e reduzida a ruínas. A partir daí houve a reorganização do que foi devastado e a cidade voltou a normalidade que tinha outrora. No mesmo ano uma divisão do Exército Brasileiro, trazendo mantimentos para abastecer a sua tropa, abriu novas perspectivas de comércio. Também houve a restauração da zona urbana e a retomada do comércio, além da recuperação da região portuária e das fazendas de gado que foram destruídas outrora na invasão paraguaia. Em 7 de outubro de 1871, com o crescimento retomado, é elevada à categoria de vila. No ano de 1872 começou a ser construído o Arsenal da Marinha na região do atual município de Ladário e também a construção da Câmara de Vereadores de Corumbá. A comarca de Corumbá foi criada por Lei Provincial nº 1 de 10 de junho de 1873 (declarada de segunda estância) e instalada em 19 de fevereiro de 1874. Em 1877, Corumbá dispunha de três praças, dez ruas retas e sua população era de aproximadamente 6 mil habitantes. Em 15 de novembro de 1878, pela lei nº 525, é elevada à categoria de cidade. Já no fim do século XIX], o porto fluvial de Corumbá era o terceiro maior da América Latina e movimentava pelos vapores da rota Europa/Brasil o comércio de peles, charques e outras riquezas da região. Ocultado às vistas dos visitantes, quando chegavam do Rio da Prata pelas voltas do rio, surpreendia o belo aspecto que se descortinava à entrada do porto da cidade. Corumbá estava em contínuo progresso e seu porto era atracado por embarcações nacionais e estrangeiras de grande calado. Essas embarcações traziam grandes carregamentos de mercadorias destinadas ao mercado local, além de outras localidades do estado, além do oriente da Bolívia. Vapores vinham do Uruguai, Argentina e de alguns países europeus trazendo o cimento inglês, o vinho português e os refinados tecidos franceses, além dos imigrantes. Em contrapartida levavam produtos de exportação como a borracha, couro, charque, cal e a erva mate, transformando a região em um corredor das exportações de Mato Grosso. Nessa época, funcionavam em Corumbá 25 bancos internacionais como o City Bank e a moeda corrente era a Libra Esterlina. Havia uma enorme composição do elemento estrangeiro em sua população (italianos, árabes, libaneses, argentinos, paraguaios, entre outros) e nessa época a população estrangeira na região chegou a superar numericamente a brasileira. A zona urbana se desenvolveu sob o impulso de movimento mercantil e fluvial, o que aumentou os estabelecimentos comerciais e o número de estrangeiros. Apesar disso, a prosperidade comercial não trouxe benefícios para a cidade e sua população. Essa dependência com o comércio externo impediu o desenvolvimento interno e a criação de uma infra-estrutura econômica e urbana capaz de criar alternativas para o setor comercial. Havia uma dualidade na estrutura social que se formava, havendo dois grupos populacionais: o dos europeus, que eram os ricos e poderosos, e o dos sulamericanos, considerados marginalizados e discriminados. Getúlio Vargas, antes de ser presidente do Brasil, serviu ali até a patente de cabo, em 1903. Em 1910 como tentativa de organização dos comerciantes locais foi fundada a Associação Comercial de Corumbá. Ela que considerava a navegação fator principal no desenvolvimento da cidade reagiu anos depois contra a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (atualmente privatizada). No ano de 1913 um oficial das forças armadas, em visita a cidade, falou ao chegar a Corumbá: ?No hotel, no bar, nas casas de comércio, por toda parte, ouve-se falar todas as línguas nessa longínqua e pequena babel e não serei exagerado em falar que o português não é o idioma que mais se fala?. Em 1914 possuia quinze mil habitantes e cortada por largas ruas retas e perpendiculares ao rio. Faltava apenas a arborização simétrica para embelezar as avenidas e dar um aspecto de uma metrópole para a época. No mesmo ano foi instalada em Corumbá a 14ª agência do Banco do Brasil. A guerra que estava acontecendo na Europa (1914 a 1918) e a construção da estrada de ferro mudaram o destino econômico de Corumbá. Essa estrada acabou trazendo consequências negativas para a cidade e fez mudar drasticamente a sua economia. Em função disso o transporte fluvial foi perdendo força e o eixo econômico foi deslocado para Campo Grande, que passou a ser o centro econômico do estado de Mato Grosso a partir de 1920. A partir daí Corumbá começa a ficar decadente e perde a condição de entreposto de exportação e importação que detinha, sofrendo também um grande esvaziamento populacional, pois os comerciantes se mudaram para outros centros mais ricos ou então se tornaram pecuaristas. Apesar disso, a cidade seguiu tendo apenas o Rio Paraguai como único meio de locomoção da cidade com outras regiões até a primeira metade do século XX. Depois do fim da guerra, com a abertura dos portos e o comércio com os países platinos e europeus, o Porto de Corumbá acabou sendo o terceiro maior da América Latina até por volta de 1930. Nos anos 40, durante a Segunda Guerra Mundial, a cidade iniciou suas atividades industriais, com a exploração das reservas de calcário - excelentes para a indústria do cimento (chegada do grupo Itaú em 1950) - e outros minérios. A partir de 1950 a cidade de Corumbá, que nasceu e cresceu com a navegação, seria afetada negativamente com a chegada da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (privatizada em meados da década de 1990 à Ferrovia Novoeste S.A., atualmente pertence à América Latina Logística S.A.) o que enfraqueceu a economia local e significou o fim definitivo do comércio fluvial. A partir daí o rio Paraguai perderia a sua função de principal artéria de comunicação e transporte. Em 1953 é criado o município de Ladário onde, até o mesmo ano, era a região oeste da cidade de Corumbá. O Moinho Mato-Grossense, que nessa época trabalhava o trigo que chegava da Argentina pelo retorno das embarcações que transportavam o minério a partir da região, foi fechado nos anos 60. Em 1975 aportou na cidade a Urucum Mineração e a Companhia Vale do Rio Doce. Em 1977 foi criado o estado de Mato Grosso do Sul e Campo Grande foi escolhida a capital do novo estado, o que restou a Corumbá um número reduzido de atividades econômicas (algumas indústrias, um comércio de pequena expressão e uma grande atividade agropecuária). Ainda no final dos anos 70, o turismo começou a ser explorado muito artesanalmente, revelando uma nova infra-estrutura e viabilizando a restauração das construções históricas. Ainda a ocupação dos prédios portuários históricos pelos novos empresários impediu que o casario mais antigo do Porto Geral não fosse totalmente deteriorado e depredado. Nos anos 80 o turismo se consolida, mudando a economia de Corumbá. Em consequência disso, começou a se desenvolver uma grande infra-estrutura para atender a demanda turística local, com a construção de vários restaurantes, bares, hotéis, pousadas, barcos-hotéis, entre outros. Em 1986 a rodovia que liga Corumbá á Campo Grande (BR-262) foi pavimentada pelos militares, o que dinamizou um pouco o comércio. A partir de 1990 houve uma intensificação da agropecuária no município, inserindo Corumbá no agronegócio, o que fez os produtores rurais buscarem novas técnicas e informações a respeito de avanços tecnológicos e também um novo modo de produção economicamente sustentável, fazendo com que a Europa adquira o rebanho pantaneiro, considerado ecologicamente correto. Também teve início um novo momento econômico no município. O comércio com a Bolívia passa a ser feito de forma diferente, cabendo a Corumbá ser intermediador de exportação para produtos proveniente dos centros agropecuários bolivianos, sendo que o escoamento da safra de soja seja feito pela rodovia BR-262 rumo ao Porto de Paranaguá. Apesar de ignorada pelo establishment, o comércio com a região dos Andes representou importante atividade econômica não só para Corumbá e região (havia na época mais de 180 exportadoras e escritórios de [[despachante]s aduaneiros com geração de mais de 500 empregos diretos), mas também para a economia do Brasil, sendo um expressivo nicho de mercado cativo que vai desde achocolatados até automóveis. A partir dos anos 90 o dinamismo dos processos de produção e sócio-ambiental se modelam retratando a atuação dos agentes e redes de interesses que se direcionam para a apropriação, o controle e o uso político do espaço geográfico que inclui o valor incalculável do pertencer coletivo e que acabou se submetendo ao esquecimento e decadência da causa social. Na mesma década houve ainda mobilizações em defesa do rio Paraguai e para impedir megaprojetos como a hidrovia Paraguai-Paraná e o pólo mínero-siderúrgico de Corumbá, que marcam importantes embates que tem a participação de setores populares organizados. O ápice desses embates se deu com a expressiva participação de cidadãos de várias camadas sociais na questão do processo de efetivação do controle social do Programa Pantanal (financiado pelo BID), além do monitoramento dos impactos sócio-ambientais do Gasoduto Bolívia-Brasil e a implantação da usina termelétrica á gás boliviano, chamada de TermoPantanal. Com a recessão interna em 1992, houve uma supervalorização da moeda brasileira como mecanismo interno para estabilizar a situação econômica precária que estava o Brasil. Com isso o comércio de Corumbá, que já era problemático e frágil, sofreu uma amarga quebra em função da desistência da cidade dos comerciantes bolivianos, que optaram por outras praças como Iquique (Chile), Cidade do Panamá (América Central) e Miami (Estados Unidos). A partir da Eco-92 (Conferência da Terra) houve um processo de inclusão de atores (políticos, empresários e instituições) nas questões sobre a preservação, conservação e desenvolvimento sustentável do município, que é representado pelo bioma Pantanal, que possui recursos naturais finitos e nessessitam ser poupados e preservados para o futuro. A partir daí o bioma é introduzido no cenário nacional e mundial e passa a ter aliados e defensores para a preservação, conservação e até destruição, que é representado por várias organizações não governamentais (ONGs), que articulam atores e agentes políticos, sociais e econômicos. O outro setor passa a agrupar propostas de luta com interesses específicos de um setor do processo produtivo e com interesses que incluem os anseios da sociedade. Apesar da crise que afetou o comércio exterior depois da adoção do Plano Real em 1994, os comerciantes e exportadores do mercado corumbaense buscaram novas alternativas, como a participação do Pacto da Cidadania (emblemático movimento que uniu diferentes segmentos sociais em prol da cidade) e a reivindicação da implantação de uma área de livre comércio e a reativação da linha de trem de passageiros Bauru ? Corumbá, que foram suspensos em função da privatização da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA). Em 1999 conseguiram o apoio do Ministério da Cultura para incluir o Casario do Porto Geral no Programa Monumenta (que tem o financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento-BID) para recuperar o patrimônio histórico local para fins turísticos (cultural e ecológico) como opção hegemônica da pesca, o que gravemente acabou também promovendo o turismo sexual e a exploração sexual infanto-juvenil. A partir de 2005 a cidade começa a passar por uma cirurgia sócio-econômica: muitos empreendimentos começaram a chegar e a cidade passa a receber vários investimentos públicos e sociais. Com o Pantanal ocupando 60% de seu território, em 2007 Corumbá passou a ser chamada oficialmente de Capital do Pantanal, constituindo no principal portal para esse santuário ecológico.
